quinta-feira, 28 de junho de 2012

Epilepsia


Por Ana Lúcia Hennemann, Carlos José Schierholt, Daiane Tais Wames, Scheila Rogéria Flesch

Epilepsia é um sintoma de perturbação cerebral que se caracteriza pela ocorrência de ataques periódicos e recorrentes. Os ataques de epilepsia podem ser de diversos tipos, variando entre ataques de duração curta, com perturbações do estado de consciência e ataques com convulsões graves e perda de consciência.

Classificação – CID 10
ü G40.0 Epilepsia e síndromes epilépticas idiopáticas definidas por sua localização (focal) (parcial) com crises de início focal;
ü G40.1 Epilepsia e síndromes epilépticas sintomáticas definidas por sua localização (focal) (parcial) com crises parciais simples;
ü G40.2 Epilepsia e síndromes epilépticas sintomáticas definidas por sua localização (focal) (parcial) com crises parciais complexas;
ü G40.3 Epilepsia e síndromes epilépticas generalizadas idiopáticas;
ü G40.4 Outras epilepsias e síndromes epilépticas generalizadas;
ü G40.5 Síndromes epilépticas especiais;
ü G40.6 Crise de grande mal, não especificada (com ou sem pequeno mal);
ü G40.7 Pequeno mal não especificado, sem crises de grande mal; ou
G40.8 Outras epilepsias
TIPOS
Ataque Epilético Parcial: Envolvem apenas uma zona do cérebro, apenas uma zona do corpo é afetada ou apenas um certo nível de consciência é afetado.
ü  Ataques parciais de sintomas simples originam contrações súbitas de certos músculos, como por exemplo, os músculos que controlam um braço ou uma perna; se a zona do cérebro afetada controlar a visão, a audição ou outros órgãos dos sentidos, a pessoa terá breves alucinações visuais, auditivas ou outras, sem contudo perder a consciência.

ü  Ataques parciais com sintomas complexos podem envolver momentos de perdas de consciência e atos complexos involuntários. Durante um ataque deste tipo a pessoa parece estar consciente, mas não reage ou então reage de forma inadequada ao ambiente que a rodeia executando ações sem objetivo concreto. A sua duração pode ser curta, de várias horas ou evoluir para um ataque generalizado.


Ataques Epilépticos Generalizados: afetam todo o cérebro, podendo ser divididos em:
ü  Crises de ausência consistem em perdas breves de consciência, podendo durar entre cinco a trinta segundos. Neste tipo de ataques a pessoa poderá apresentar um olhar fixo e dar a impressão de estar sonhando acordada, ou sentir leves contrações dos músculos da face ou dos braços. Após a crise, a pessoa continua a fazer o que estava fazendo antes do ataque, sem perceber do que aconteceu.
ü  Tônico-clônicos são entendidos pelas pessoas em geral como a epilepsia, o ataque inicia-se com uma perda súbita de consciência, a pessoa cai, os seus músculos tornam-se rígidos (a chamada fase tônica), pode surgir um grito agudo em consequência da contração dos músculos abdominais e a pele pode tornar-se azulada devido à breve interrupção da respiração. Inicia-se depois a fase clônica, que consiste em movimentos bruscos de contração dos principais grupos musculares, a respiração faz-se de uma forma profunda e irregular levando à produção de espuma e saliva. Durante o ataque a pessoa pode morder a língua ou perder o controle da bexiga. A duração de um ataque deste tipo dura geralmente entre três a cinco minutos.

 EPIDEMOLOGIA
Estima-se que a prevalência mundial de epilepsia ativa esteja em torno de 0,5% - 1,0%  da população e que cerca de 30% dos pacientes sejam refratários, ou seja,  continuam a ter crises, sem remissão, apesar de tratamento adequado com medicamentos anticonvulsivantes. A incidência estimada na população ocidental é de 1 caso para cada  2.000 pessoas por ano. A incidência de epilepsia é maior no primeiro ano de vida (principalmente entre 3 e 7 meses) e volta a aumentar após os 60 anos de idade. A probabilidade geral de ser  afetado por epilepsia ao  longo da vida é de cerca de 3%. Observa-se prevalência no sexo masculino. No Brasil, Marino e colaboradores e Fernandes e colaboradores encontraram prevalências de 11,9:1.000  na Grande São Paulo e de 16,5:1.000 para epilepsia ativa em Porto Alegre.

CAUSAS DA EPILEPSIA
Os ataques de epilepsia são provocados por uma descarga descontrolada de energia elétrica pelas células cerebrais. Em cerca de 50% das pessoas não se consegue determinar a causa do descontrole da atividade elétrica, sendo nestes casos designada por epilepsia idiopática. Na outra metade, em que é possível determinar a causa, a epilepsia é designada por sintomática.
As causas mais vulgares são as lesões pré-natais, lesões ocorridas durante o parto, tumores cerebrais, pancadas fortes na cabeça, doenças cerebrovasculares e infecções graves durante a infância.


DIAGNÓSTICO
•      CLÍNICO- através da obtenção de uma história detalhada e de um exame físico geral, com ênfase nas áreas neurológica e psiquiátrica. A história deve cobrir a existência de eventos pré e perinatais, crises no período neonatal, crises febris, qualquer crise não provocada e história de epilepsia na família. Trauma craniano, infecção ou intoxicações prévias também devem ser investigados.
•      COMPLEMENTAR- Os exames complementares devem ser orientados pelos achados da história e do exame físico.

TRATAMENTO
•      O objetivo do tratamento da epilepsia é propiciar a melhor qualidade de vida possível para o paciente, pelo alcance de um adequado controle de crises, com um mínimo de efeitos adversos.
•      A determinação do tipo específico de crise e da síndrome epiléptica do paciente é importante, uma vez que os mecanismos de geração e propagação de crise diferem para cada situação, e os fármacos anticonvulsivantes agem por diferentes mecanismos que podem ou não ser favoráveis ao tratamento.
•      Os fármacos anticonvulsivantes atuam através de um ou de vários dos seguintes mecanismos: bloqueio de canais de sódio, aumento da inibição gabaérgica, bloqueio de canais de cálcio ou ligação à proteína SV2A da vesícula sináptica .
•      A decisão de iniciar um tratamento anticonvulsivante baseia-se fundamentalmente em três critérios: risco de recorrência de crises, consequências da continuação de crises para o paciente e eficácia e efeitos adversos do fármaco escolhido para o tratamento.
•      O risco de recorrência de crises varia de acordo com o tipo de crise e com a síndrome epiléptica do paciente, e é maior naqueles com descargas epileptiformes ao EEG, defeitos neurológicos congênitos, crises sintomáticas agudas prévias e lesões cerebrais e em pacientes com paralisia de Todd.
•      Incidência de novas crises epilépticas são inaceitáveis para pacientes que necessitam dirigir, continuar empregados ou ser responsáveis por familiares vulneráveis. A decisão de iniciar tratamento fica bem mais fortalecida após a ocorrência de 2 ou mais crises epilépticas não provocadas com mais de 24 horas de intervalo.
•      A seleção do fármaco deverá levar em consideração outros fatores além da eficácia, tais como efeitos adversos, especialmente para alguns grupos de pacientes (crianças, mulheres em idade reprodutiva, gestantes e idosos), tolerabilidade individual e facilidade de administração.
•      Mesmo utilizando fármacos adequados ao tipo de crise, um controle insatisfatório ocorre em cerca de 15% dos pacientes com epilepsia focal, sendo estes candidatos a tratamento cirúrgico da epilepsia.
•      Em caso de falha do primeiro fármaco, deve-se tentar sempre fazer a substituição gradual por outro, de primeira escolha, mantendo a monoterapia.

PROFILAXIA
•      A prevenção liga-se diretamente às condições de vida e à assistência médico-sanitária: cuidados pré-natais e de parto às gestantes, cumprimento do calendário de vacinações nas crianças, controle de doenças infecciosas e parasitárias e seus sintomas, cuidado com a febre em crianças.

•      O controle da hipertensão arterial sistêmica e do alcoolismo, e a prevenção do uso de drogas, entre outros, contribuem para a profilaxia na idade adulta.
•      E em geral, evitar lesões na cabeça, não usar medicamentos sem orientação médica.

•      É importante que o paciente saiba quais os fatores desencadeiam as crises convulsivas e faça o possível para evitá-los.  Para isso ele precisará mudar hábitos de vida, como:
•               -evitar consumo excessivo de álcool; 

         -sobrecarga e fadiga, com noites mal dormidas;

         -estimulação luminosa intensa: televisão, videogames e computadores, festas noturnas.

•      Para as crianças pequenas, é essencial administrar antipiréticos (medicamentos que diminuem a febre) quando a temperatura corporal estiver acima de 38,5°C. Uma temperatura acima pode provocar convulsões em crianças.
•      Os fatores de prevenção são poucos, o tratamento mesmo consiste em controlar, não existe cura conhecida para a epilepsia.

 COMO AJUDAR ALGUÉM QUE ESTÁ TENDO UMA CRISE EPILÉTICA:


PARA SABER MAIS:



REFERÊNCIAS:

ANTUNIUK, Sérgio. Epilepsia na Infância. Paraná: UFPR, 2008.
BRASIL. Portaria SAS/MS nº 492/2010. Disponível online em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pcdt_epilepsia_.pdf Acesso em 02/06/2012
CASTRO. Luiz H. M., PINTO, Lécio F. Crise Epilética. 2009. Disponível Online em http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/2213/crise_epileptica.htm Acesso em 02/06/2012.
KANASHIRO, Ana L. A. N. Epilepsia. Campinas, 2008. Disponível online em: http://2009.campinas.sp.gov.br/saude/especialidades/Epilepsia.pdf Acesso em 15/06/2012
SOUZA. Elisabete. Mecanismos psicológicos e o estigma na epilepsia. Disponível online em http://www.comciencia.br/reportagens/epilepsia/ep18.htm Acesso em 10/06/2012.
Epilepsia: dados básicos de um serviço público do Rio de Janeirohttp://www.scielo.br/pdf/csp/v2n2/v2n2a09.pdf Acessado em 18/06/2012

15 comentários:

  1. Muito bom este artigo (: me ajudou muito, estava fazendo uma apresentação sobre o tema, mas o que mais me ajudou foram as imagens !

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    1. Que bom que lhe foi útil...gostei muito da montagem deste artigo e pedi permissão para os meus colegas para postar...

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  2. apos 2 derrames fiqueei com sequela de epelepisia estou atravezando momento terriveis eu nao tinha ideis como era agora esta reportagem me ajudou obrigada

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  3. O meu caso começou aos 15 anos e vou completar 49anos.Tenho cisticercose;descobri aos26 anos.Tenho dois filhos com saúde.Antes era + fácil trabalhar hoje ficou difícil pago o INSS faço perícia e nunca passo só trabalho emcasa.Meu caso ñ posso me cançar,ñ posso praticar esportes,ñ vou a festas e tem váris coisas q/ñ posso comer e beber,tomo remédio mas ñ funciona mt.O que fazer para entrar no (INSS)

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    1. Oi!
      Tive que pesquisar sobre a questão do INSS para saber como funciona. Em alguns sites dizem que se deve levar os exames feitos e uma avaliação de seu médico para que o perito do INSS faça uma avaliação. Entretanto, outros sites colocaram que são raros os casos em que eles concedem auxílio doença, ou aposentadoria em casos de Epilepsia, pois acreditam que com o uso da medicação a mesma permaneça estabilizada.
      Abçs

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  4. Oi meu nome é Marcia e tenho uma filha de 6 anos que aos 3 descobri que tinha epilepsia de ausência, ela toma a 2 anos o depakene e desde então não teve mais crise. Gostaria de saber se nete caso possa ter sarado ou quando ela parar co o remédio voltará tudo? Tenho pensado muito nisso e fico super preocupada, espero por resposta. Obrigada.

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    1. Oi Márcia!
      Cada caso é único e somente o médico que vem acompanhando ela pode lhe dar informações mais precisas quanto a situação em que a mesma se encontra. Mas se não ocorreram mais crise, isso já é um ótimo sinal. Portanto, o importante é manter o foco de tua atenção na melhora que já ocorreu e tentar não se preocupar com situações que ainda nem aconteceram. Um grande abraço e tudo de bom para ti e tua filha.

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    2. Obrigada pelo carinho e atenção. Beijos e fique com Deus!!!

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  5. Boa tarde. Meu filho tem um ano de idade e começou a apresentar crises de epilepsia parciais complexas. Três vezes no mínimo no dia ele perde a consciência por um ou dois minutos, fica com a cabeça girando para os lados como se visse fantasmas. Ele vem tomando depakene (4 ml duas vezes ao dia) e topamax (2 comprimidos ao dia). Mesmo com a medicação, permanecem as crises. Não sabemos como conduzir isso, temos consulta aprazada com especialista mas somente para o dia 15 de julho. Se puder, nos ajude. Abraços.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Fiquei chateada quando descobri q o trauma cranioencefálico q sofri resultou em crises convulsivas parcias complexas ,eu estudo e daí..esqueço logo, as vezes me esqueço de meu nome, e por aí, qdo vi q estava papeando com uma alucinação então percebi q deveria aceitar a ideia q eu não serei mais a pessoa super ativa q fui um dia enfim "to di boa", estou viva e andando, falando, só me esquecendo as vezes rs, mas este artigo me ajudou a entender muito bem.Muito obrigada mesmo.

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  8. uma criança de 2 anos com eplepsia pode andar de triciclo?

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  9. Oi tenho 32 anos e desde criança tinha crises de ausência mais meus pais achavam que eram por causa de verminoses,só com 25 anos fui diagnosticada com Epilepsia,percebo que com o passar dos anos estou sentindo várias crises e estas tem me causado vários momentos de esquecimento,tenho muito medo de ficar assim para sempre,por favor me ajude e o que faço em relação ao tratamento!Obrigada.

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  10. Bom dia, ontem os exames da minha filha de 9 anos constatou que ela tem epilepsia. Ela teve apenas uma crise no dia 28/02/2017, e ontem dia 29/03/2017 começou a tomar o Depakene. Porém, gostaria de saber se está certo a administração de medicação na primeira convulsão.
    Obrigada.

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  11. boa noite Célia tomo esse remédio des dos meus 15 anos nunca tive nenhum problema com ele tenho 2 filhas e esto gravida de novo ainda o tomo ele so me fez bem pois com as crises não saia nem da cama des dos meus 14 anos não tenho mais nada graças a deus se da o remédio que sua filha vai ter uma vida normal pois cada crise que ela tiver vai prejudicala ela pode ter esquecimentos

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